Arquivo de 16 de Outubro de 2008
Cristais de Oração grupocristal em 16 Out 2008
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Mensagens grupocristal em 16 Out 2008
Encontro Eterno
Era 18 de fevereiro, aniversário de meu marido. Minha irmã e meu cunhado, de férias, passariam esta noite em minha casa. Planejei um jantar caprichado e mais um monte de surpresinhas para um dia tão especial. Mas às 11 horas o telefone do escritório tocou e a secretária da firma do meu tio trouxe a notícia que tirou o chão dos meus pés: “seus familiares não estão conseguindo falar com você e pediram pra te comunicar o falecimento do “seu” Euclides”.
Meu tio faleceu… A frase fazia eco em minha mente e nada mais fazia muito sentido, a dor era dilacerante. Com 28 anos, era a primeira vez que vivia esse doloroso momento com alguém tão próximo. As lembranças povoavam minha mente e eu não conseguia acreditar que alguém tão cheio de vida se fora. Olhei de longe sua casa, tão minha conhecida, e me dei conta de que nunca mais ouviríamos sua voz insistente e impaciente nos acordando a cada sábado, preocupado em ter toda a família reunida a tempo na igreja. Ou então nos dando uma bela bronca quando descobria que, ao invés de estarmos dormindo, perdíamos tempo em frente à televisão. Ele nunca se preocupou em ser silencioso, talvez porque solidão não fazia parte de seu vocabulário. Gostava de estar rodeado pela família, gostava da casa cheia.
Desde que soube de seu câncer, preferi acreditar que Deus faria um milagre. Há algum tempo sua consagração vinha sendo um exemplo e uma inspiração para todos os que o rodeavam, então, achava que ele ainda tinha muito para fazer e que certamente, Deus o pouparia. Mas o tempo e a vontade de Deus, na vida dos que se entregam a Ele, muitas vezes são inexplicáveis. São respostas que só o Céu nos trará.
Os dias foram passando, as lembranças continuando fortes. Mas a vida continuava. E em minha mente ecoava a vontade que ele um dia me expressou: “Vivi, estou preparado. Mas o Céu não vai estar completo se você não estiver lá”.
Começava me sentir mais forte, começava entender o que realmente era importante na vida. A gente nunca tem tempo, a gente nunca tem dinheiro e a gente tem sempre um milhão de desculpas para as nossas omissões. Mas, na verdade, pessoas são tudo.
No auge destas minhas considerações e novos propósitos, mamãe me liga avisando que meu avô estava mais uma vez no hospital. Há pouco mais de dois anos ele havia sido submetido a primeira cirurgia cardíaca. E depois disto, de vez em quando, ele nos dava um susto.
Sempre que ligava pra ele, ele me enchia de esperança com sua força e vontade de viver. Mas desta vez foi diferente. Ele estava sereno, feliz, mas em momento algum senti nele aquela esperança que tanto me confortava. De mesma forma que meu tio, disse estar em dia com Deus e disse que queria me ver no Céu. Pela primeira vez em minha vida, ouvi de meu avô: “eu amo você!” Claro que suas ações demonstravam isso. Mas ouvir esta frase de seus lábios, me soou como despedida. Preferi não pensar nisso.
Depois da angioplastia, passou uns dias com minha mãe. O sábado passou com minha tia, de terno novo, feliz da vida. No domingo, voltou para Itapema – sua casa, seu reduto, seu refúgio.
Segunda-feira, ironicamente, 1º de abril. Perto das 17 horas, um telefonema. Tudo o que eu queria era que fosse um trote, de muito mau-gosto, mas apenas um trote. Impossível! Era meu pai o portador da notícia: o vô morreu. Morreu justamente do que tinha de mais nobre: o coração. Dos seus 71 anos, dedicou 47 à obra do Senhor. Foi intenso em tudo o que fez, amou sinceramente os que passaram por sua vida. Sua opiniões eram firmes e sua teimosia adorável. E se sobram adjetivos para descrevê-lo, não há palavras que descrevam a nossa dor.
A certeza de que ambos descansaram no Senhor é o bálsamo que alivia dor tão dilacerante. Foram homens dedicados ao serviço de Deus, fortes e muito amados.
Neste momento sinto Deus bem próximo a mim. Às vezes parece estar me carregando no colo. Finalmente consegui entender claramente quão ilusórias e passageiras são as belezas e comodidades da vida moderna. Parece que só agora compreendo plenamente porquê Deus quer tanto nos levar pra junto dEle. E hoje, mais do que nunca, quero o Céu. Quero viver pra sempre (mesmo que sempre seja tempo demais para os meus padrões humanos). Quero estar com meus dois queridos que se foram, Euclides Ferreira e Pr. Jairo Prego, quero estar pra sempre perto de meus pais, irmãs, cunhados, tios, tias, primos, primas e demais familiares espalhados pelo mundo. Quero conviver com amigos que colecionei pela vida e que me enchem de saudades, pela distância. Quero esquecer o que é a dor.
Quero felicidade eterna, quero paz como um rio… Quero que você e eu nos unamos para apressar a volta de Jesus. Porque, assim como muitos de vocês, quero encontrar e estar com os meus amados num ambiente de ausência de dor e separação, estar com o meu precioso Jesus. E para que isto aconteça, é preciso que venha o fim da história do pecado.
Ele disse: “este evangelho do reino será pregado a toda nação, tribo, língua e povo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim” (Mat. 24:14). Falamos muito na pregação a todo mundo, mas não notamos que o texto define o tipo de pregação que funciona: “em testemunho”.
O testemunho de meu tio e de meu avô ainda sobem em cheiro suave até o Céu, e me ajudam em minha caminhada. Hoje quero também dar um testemunho eficaz, pregando dessa forma ao meu redor, fazendo o pouco que eu posso para que venha o fim, ou seja, não fazendo, sendo. Sendo uma cristã de fato.”
Vivi Fragoso
